Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Todo dia ela faz tudo sempre igual

Há dias abro a página do Blogger e deixo-a aberta um tempão, enquanto resolvo se quero escrever ou não. Aliás, talvez o verbo querer não seja mesmo o mais adequado. Talvez seja somente mais um daqueles hiatos que eu e os poucos leitores que ainda me acompanham conhecem tão bem. Fiquei me perguntando se não era por conta dessa coisa toda dos 140 caractereres de hoje parecerem mais interessantes que os antigos posts cheios de entrelinhas & coisital. No fundo, sei que é apenas um pouco de medo e ansiedade e cabeça cheia e incerteza de um monte de outras coisas que se misturam e criam raízes em um lugar inalcansável ou pelo menos longe demais de mim nesse exato momento. E eu nem falei em preguiça, vejam bem.

Também quero pedir desculpas às pessoas que passam por aqui e deixam comentários e recadinhos carinhosos, os quais não respondo. De fato, isso é uma coisa que sempre me prometo fazer e acabo deixando para depois. Mas um depois que nunca chega. Aliás, isso me lembra a conversa que tive um dia desses com uma psicoterapeuta para uma matéria sobre procrastinação. Fiquei pensando se não sou um dos casos de gente que esconde, atrás desse adiamento infinito, um problema real de déficit de atenção. Explicaria muitas coisas. Mas prometo que tentarei mudar. De novo

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Nessa espera, o mundo gira em linhas tortas

Hoje acordei pensando que as coisas nunca são do jeito que pensamos que são. Nada é estanque. Nem o céu é sempre azul. Frivolidades, eu sei. Desses clichês que a gente repete como quem sequer se pergunta o que quer no café-da-manhã e come a mesma torrada, sempre à mão. Acho que tudo está no modo como reagimos a essas coisas. Essas que não são do jeito que pensamos que são. Mas não são. Penso que expectativa é uma merda. Rotular também. Mas é possível viver sem um ou outro? Não sei onde deixei largada (pela que quantésima vez?), o caderno onde prometi que guadaria minhas verdades. De novo, esqueci do essencial e me joguei de cabeça no pote de biscoitos amaldiçoados, que se não preenchem vazio algum, deixam somente uma mistura de culpa simulada de frustração. Outro dia li algo do tipo: fulaninho tenta emular um estilo de música herdado da jovem guarda. Como seria emular alguém que não se importa tanto? Como não olhar para trás e entender que a grandeza pode estar escondida numa abnegação silenciosa, mas a favor do que dizem ser felicidade?

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

O resto é mar

Porque precisava ontem de um alento de vida, resgatei as cartas do poetinha. E não demorou dois segundos para que eu desejasse viver também como poeta. E agora, quando morrer, quero que as pessoas possam escrever na minha lápide: atirou-se à vida, reviu posições, acreditou em ideias, suportou perdas e distribuiu amor.

Ou simplesmente, como Caio F.:

Nathalia D., que muito amou.

Quinta-feira, Setembro 24, 2009

Vive a vida pelo avesso

Não é que seja um horror diante dos outros. Mas é que antes eu não tinha medo.

Terça-feira, Setembro 22, 2009

Ai de quem não rasga o coração

Hoje me peguei usando frases como "perdoa, Senhor, essa pessoa não sabe o que faz", "resolvi que precisávamos viver bem" e "estou tentando entender o outro lado". Detalhe: todas em um espaço de alguns minutos.

Acho que estou virando uma espécie de madreterezadecalcutá. Nos meus ínfimos limites, claro.

Será um sinal?

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

De novo, do jeito que já foi um dia

Porque eu era uma pessoa melhor quando carregava comigo um caderno de páginas flúor, resolvi que era hora de começar de novo. E desde então uma frase não me sai da casa: é preciso estar distraído para ser feliz. Quem disse? Não lembro. O Google também não. Mas nem importa, de fato, já que ainda não sei bem o que penso disso. Tenho procurado não ter mais sempre uma opinião formada sobre tudo, achar isso e aquilo, jurar até o fim da vida que acredito em ideias & ideias – tantas vezes sem sentido algum. Mas ao mesmo tempo quero o ontem-hoje-amanhã de uma só vez, quase sem respirar. Quero equilibrar mais e menos. Falar, reclamar, cobrar, estar. Ser o quê?

Mas é preciso apagar o cigarro no peito. E isso nunca vai ser fácil.

Sexta-feira, Setembro 18, 2009

Mantra

Deve haver algo cabalisticamente muito sinistro com o mês de setembro. Porque sempre que o mês torna-se nove, há pessoas que se empenham de forma bastante vigorosa em transformar dias de calmaria em algo bem parecido com o que acredito ser uma sucursal do inferno. Mas aprendi há anos que pensamentos destrutivos não só bloqueiam a mente como, no futuro, podem virar um câncer gordo e redondo dentro de quem os cultiva. E, por isso, decreto: vai-de-retro-coisa-ruim! E leve consigo esse seu discurso bonitinho e hipócrita de paz & amor entre todos, amém, enquanto, do meu lado, fico a mentalizar: perdoa senhor, ela não sabe o que faz.

Segunda-feira, Setembro 14, 2009

Tente outra vez

Nunca me empolguei muito com twitter. Fiz uma conta apenas porque profissionalmente preciso estar inserida nas redes sociais, mas até fazer o primeiro post foi um longo processo. Hoje resolvi tentar mais uma vez.

Quarta-feira, Setembro 09, 2009

As frases de caneta, você não pode apagar

Disseram-me, um dia desses, que quando fazemos uma pergunta para nós mesmos, nosso inconsciente, de alguma forma, vai atrás das respostas. Desde então, tenho me perguntado diariamente, por que, ohdeus, por quê?

Sexta-feira, Setembro 04, 2009

Pra se ter alegria

E não é que ache que sou claricelispector nem nada, mas é que a cena da barata se debatendo no chão, embriagada de veneno, não sai da minha cabeça. Por causa dela, a barata desesperada, fugiram-me todas as palavras que estavam presas na língua e que há dias eu tentava em vão colocar para fora. Não há, porém, tristeza ou melancolia. É somente um nó na garganta por ter as respostas na manga, mas não lembrar onde deixei esquecidas as perguntas cruciais.

Quinta-feira, Agosto 27, 2009

É bom morar no azul

Hoje percebi que este blog completou 3.000 postagens. O que significa que, por 3.000 diferentes momentos ao longo dos últimos oito anos, gastei algum tempo deixando qualquer coisa de mim para o mundo (ainda que esse seja um 'mundo' de poucas pessoas). E foi num desses instantes que escrevi que, se eu pudesse, armaria um balanço de corda em uma árvore e brincaria durante toda a tarde de astronauta. Mas somente se a árvore fosse um baobá e minha saia tocasse o chão.

Anos se passaram e a vontade permanece. Que bom.

Sexta-feira, Agosto 21, 2009

Amanhã, ninguém sabe

Julgamos uns aos outros todo o tempo. Apontamos dedos, rimos às escondidas, comentamos com o colega do lado como fulaninha é besta por agir assim ou assado, sem perceber a grande trava encravada em nossos próprios olhos. Pensei nisso ontem, enquanto descia no elevador com uma vizinha que carregava sua filha recém-nascida no colo, cumprimentando a todos que entravam com uma vozinha infantil irritante, forçando uma intimidade familiar que não existe entre estranhos. Como é boba, pensei. Até lembrar da minha mãe, que sofria momentos intermináveis a cada copo ou prato que quebrava em casa. Como ela podia se chatear tanto com algo meramente material, que tem, sim, um tempo de vida útil? Acontece que mudei todas as minhas respostas quando percebi que passei um dia inteiro abusada porque a diarista nova manchou as panelas de inox, escolhidas com tanto gosto. E foi então que o cuspe que atirei para cima caiu gordo e redondo no meio da minha testa.

Não, talvez eu não seja mesmo, um dia, dessas mães que falam em falsete com estranhos. Mas quem há de saber?

Quarta-feira, Agosto 19, 2009

O que é que tem sentido nesta vida

Foi no percurso de volta para casa, depois de um longo dia de trabalho em um evento da empresa. Como sempre, logo tratei de me incluir na turma dos que voltam cantando na parte de trás do ônibus, sem vergonha alguma da minha voz desafinada de mosquito. E não sei se foi pela animação da cervejinha, pela descontração das pessoas ou uma mistura dos dois, mas de repente me vi declamando um poema de Vinícius que sei de cor, calando, por alguns instantes, todos os sons à minha volta. Enquanto ouvia os ruídos e gritarias que vieram minutos depois, senti saudades de mim e do tempo em que eu andava pelas ruas carregando debaixo do braço um exemplar surrado de Para uma menina com uma flor, jurando que o poetinha havia escrito tudo aquilo somente para mim.

Segunda-feira, Agosto 17, 2009

Amélia que era mulher de verdade (?)

Nunca fui muito prendada ou tampouco sustentei o discurso sou-pra-casar. Não tenho nenhum talento para os cuidados com o lar, não sei escolher frutas e verduras com maestria e somente hoje, um mês depois de casada, percebi que não tenho peneiras (e elas fazem falta). Mas sei escolher bem quem trago para casa. E os primeiros foram Frida, Klee, Klimt, Kandinsky e Liechtenstein. Não tô tão mal assim.

Quarta-feira, Agosto 12, 2009

Voltei, Recife! \o/

Enfim, cheguei. Depois de ótimos dias vagueando em terras distantes, voltei para começar a vidinha real. Trouxe comigo muitas lembranças, milhares de cenas & cenários maravilhosos e algumas lições que certamente me ajudarão a seguir adiante. E que Deus me ajude a não virar uma desperate housewife, amém!

A todos que mandaram beijos e carinhos mil, obrigada. Não terei como responder os recadinhos de um por um, mas guardo tudo no coração (ainda que seja um lugar meio brega quando escrito).

Segunda-feira, Julho 13, 2009

A minha alegria atravessou o mar

Então: casei. De sapatos cor de berinjela, ao som da valsa de Amèlie Poulain, rodeada de amores & amigos e com o noivo que me esperou (e por quem esperei) por aí a vida inteira. Não poderia estar mais feliz. E é essa alegria que levarei pelo mundo afora pelos próximos 26 dias de férias. Obrigada, Deus.

Segunda-feira, Julho 06, 2009

Vai passar

Só hoje caiu ficha: estou saindo de casa. E bateu todo um peso de filha-que-mora-com-os-pais há 30 anos. Não somente pelos mimos e mordomias que ficarão para trás (Mainha, faz sopa pra mim! Painho, compra meu requeijão Danúbio Light da tampa azul clara!), como pelo medinho de não estar sempre por perto quando eles precisarem. Mas quero crer que todo mundo que casa deve pensar nisso em algum momento e é apenas um surto pré-nupcial. Bem passageiro, espero.

Quarta-feira, Julho 01, 2009

Tragaluz

Adoro gamão. Acho o jogo uma interessante mistura entre habilidade e sorte e sou capaz de jogar horas a fio sem cansar. Mas o fato de conhecer poucas pessoas com o mesmo gosto me levou a desenvolver o hábito de jogar no celular. Então todas as noites, antes de dormir, preciso de três ou quatro partidas até pegar definitivamente no sono. E anteontem, enquanto cumpria pela milésima vez esse mesmo ritual, vi um vagalume piscar no meu quarto. A primeira reação foi sorrir. Há quanto tempo não via um desses? Depois achei que era somente imaginação ou apenas algum efeito da minha visão, já comprometida por tanto tempo de olho no visor pequeno do telefone (porque, oi?, um vagalume não deve sair visitando apartamentos de prédio algum. Não na "cidade grande"). Esperei alguns segundos, e lá estava a luzinha piscando novamente. Então decidi que somente a idéia de um vagalume ao meu redor me bastava. Porque naquela hora, pareceu-me um sinal luminoso e claro de que, sim, estou no caminho certo. E talvez o mundo não seja tão bão, Sebastião, mas ele fica imensamente melhor quando se é capaz de perceber pequenas epifanias. Verdadeiras ou inventadas.

Domingo, Junho 28, 2009

As times goes by

Sempre haverá Paris. Nunca essa frase teve tanto sentido quanto agora. Ainda que o correr acelerado do calendário me deixe em dúvidas se o que escuto aqui dentro é o barulho de um canhão ou o meu coração dando saltos. 

Segunda-feira, Junho 22, 2009

Anunciação

Um dia desses, conversando com a Biita, falávamos de como, quase sempre, é estranho vermos os nossos próprios defeitos refletidos no outro, numa espécie de expelho. De vergonha alheia à felicidade de percebermos como é bom já não agirmos mais desse ou daquele jeito, passamos por um corredor polonês de egocentrismos, achismos, ideologismos e coisital. Mas na garganta, depois do choque inicial, vem a certeza de como é bom cometer apenas erros diferentes; como é boa a sensação de crescer e descobrir que a mesma tecla já não faz nenhum sentido! Talvez seja exatamente nesse estágio que aprendemos a abrir os olhos e enxergar a importância de termos alguém que sobretudo nos faça rir. Tão simples e tão necessário.